pra mim o coração é como uma espécie de lugar sagrado.
não apenas porque é onde a gente costuma colocar tudo aquilo que sente, mas porque é um lugar que a gente protege. onde ficam as coisas importantes, as que doem, as que te deixam feliz. aquilo que nem todo mundo pode acessar.
confiar o coração a alguém é uma coisa tão grande.
porque não é simplesmente gostar, amar ou querer alguém por perto. é permitir que outra pessoa entre nesse lugar. é baixar a guarda. abrir uma porta que normalmente fica fechada e dizer: pode entrar, fique a vontade.
e existe uma vulnerabilidade enorme nisso.
quando fiz essa peça, pensei muito nesse gesto de oferecer, de pegar. o coração ali, exposto, como quem diz: toma.
eu te dou uma coisa que é minha.
eu te dou acesso ao que eu protejo.
eu confio que você vai saber o que fazer com isso.
amar é isso: entregar uma coisa preciosa sem ter nenhuma garantia do que vai acontecer depois.
e ainda assim entregar.
